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Violência
dentro de casa
Grande parte
dos casos de violência e maus-tratos contra idosos são cometidos
por pessoas próximas à vitima – o vizinho, o amigo
e, principalmente, os seus familiares. Antônio Quelce Salgado, presidente
do Conselho Estadual do Idoso de São Paulo e membro do Conselho
Nacional do Idoso, explica que a violência contra os idosos pode
acontecer de várias formas, desde a violência psicológica,
que se manifesta pela negligência e pelo descaso, até as
agressões físicas. São comuns os casos de filhos
que batem nos pais, tomam seu dinheiro, dopam-nos, deixam passar fome
ou não dão os remédios na hora marcada. Casos como
esses últimos são chamados de abandono material.
A Constituição
Federal diz que é obrigação dos filhos dar assistência
aos pais. Contudo, segundo Eneida Gonçalves de Macedo Haddad, coordenadora
do núcleo de pesquisa do Instituto Brasileiro de Ciências
Criminais (IBCCRIM) esses direitos ficam no papel. Estudo feito pelo IBCCRIM
com base nas ocorrências registradas pela Delegacia de Proteção
ao Idoso de São Paulo em 2000 mostra que 39,6% dos agressores eram
filhos das vítimas, 20,3% seus vizinhos e 9,3% outros familiares.
As ocorrências registradas com maior freqüência foram
as ameaças (26,93%), seguidas de lesão corporal (12,5%)
e de calúnia e difamação (10%,84). O estudo mostrou,
também, que parte das ocorrências são retiradas pelos
idosos dias após a denúncia. Nos registros, os idosos argumentam
que precisam viver com a família, têm de voltar para casa,
e a manutenção da queixa atrapalharia a convivência.
Há também
os casos de maus-tratos em asilos e entidades que atendem idosos. Ao enfrentar
esse tipo de situação, o idoso sente-se só, sem ter
como se defender ou alguém para defendê-lo. Nesse caso, a
orientação é para que a vítima procure as
promotorias e as delegacias especializadas no atendimento aos idosos.
É bom lembrar que as delegacias comuns também registram
denúncias tanto contra familiares quanto contra instituições
que abrigam idosos. |
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