Estudo da Serasa mostra que no primeiro semestre de 2007 o crescimento médio
do faturamento líquido das empresas, em relação ao mesmo período do ano
anterior, foi de 7,2%, já descontada a inflação. Esse desempenho foi
beneficiado pelo crescimento da demanda interna, sustentada pelo aumento da
massa real de rendimentos, pela expansão do crédito e dos prazos de
financiamento e pela redução das taxas de juros. O estudo foi realizado com uma
amostra de 9.700 balanços, sendo 3.200 de empresas da indústria, 3.700 do
comércio e 2.800 de serviços. Os demonstrativos de junho de 2007 foram
disponibilizados no 3º trimestre de 2007.
A indústria cresceu 10,3% no primeiro semestre de 2007, sendo o setor que
registrou o melhor desempenho nas vendas líquidas. Ele é justificado pela
recuperação do agribusiness, aliado à expansão da economia mundial e à alta dos
preços das principais commodities, fatores que promoveram um aumento das
exportações, amenizando os efeitos da apreciação do real ante o dólar
americano. Deve-se considerar ainda, o menor nível de atividade no mesmo
período de 2006.
Entre os segmentos da indústria que mais se destacaram está a siderurgia,
favorecida pelo alto patamar das cotações do aço, decorrente da expansão dos
investimentos em setores demandantes e do crescimento da produção de bens de
consumo duráveis.
O segmento de fertilizantes também obteve crescimento diferenciado. As
vendas foram beneficiadas pelo bom desempenho de algumas culturas como milho e
cana-de-açúcar e também pela antecipação de compras feitas por grandes
produtores. O setor aproveitou o aumento da demanda interna e externa e elevou
os preços dos produtos.
As vendas do comércio, no primeiro semestre de 2007 em relação ao primeiro
semestre de 2006, cresceram 6,4%. O comércio foi impulsionado pelo incremento
na venda de bens de consumo duráveis, em especial os segmentos de veículos e
motos, favorecidos pela manutenção das boas condições de crédito (maior oferta
de recursos, menores taxas de juros e, principalmente, o alongamento dos
prazos). Contribuíram ainda para o crescimento do comércio, os segmentos de
tecidos, vestuário e calçados, estimulados pelo inverno mais rigoroso.
As empresas prestadoras de serviços apresentaram incremento no faturamento
de 4,8%, tendo como destaque o segmento de telefonia celular. As vendas foram
impulsionadas pela acirrada concorrência entre as operadoras móveis, resultado
da estratégia adotada para ampliação da base de clientes mais rentáveis, como
os corporativos. Adotaram-se práticas comerciais de promoções e subsídios de
aparelhos e pacotes com tarifas reduzidas, além da ampliação da oferta de
crédito e maiores prazos de pagamento nas grandes redes varejistas. A receita
média por usuário aumentou, mesmo com o crescimento da participação de
celulares pré-pagos no total da base de aparelhos.
O crescimento do crédito imobiliário com prazos mais longos de
financiamentos e reduções das taxas de juros, aliado à estabilidade econômica,
refletiu em aumento de negócios no segmento de construção civil. A expectativa
de continuidade de crescimento da atividade econômica e a expansão da massa
real de rendimentos formam um cenário ideal para que os mutuários sintam
segurança para aquisição da casa própria. O segmento da construção civil pesada
foi beneficiado pelos investimentos iniciais do Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) e pelo cenário macroeconômico positivo, que formam um
ambiente favorável à realização de investimentos em infra-estrutura, inclusive
por parte da iniciativa privada.
Apesar da indústria apresentar melhor desempenho no último semestre de 2007,
no período acumulado de 2000 a 2006 o comércio garantiu a liderança, com
evolução acumulada de 40,9%, frente a 29,4% da indústria e 23,3% do serviço. A
liderança vem se consolidando pela manutenção das principais determinantes como
aumento da massa salarial e do crédito.