A inadimplência das empresas registrou o décimo crescimento no acumulado do
ano, mostrou o Indicador Serasa de Inadimplência Pessoa Jurídica. De janeiro a
outubro de 2007 houve um aumento de 2,2% na inadimplência das pessoas jurídicas
na comparação com os dez meses de 2006.
Na relação entre outubro deste ano e outubro do ano passado, o indicador
apontou uma alta ainda maior na inadimplência das empresas, de 7,6%, e na
variação mensal (outubro sobre setembro de 2007), o aumento foi de 11,3%.
Os títulos protestados puxaram a alta na inadimplência das empresas com uma
participação de 40,4% no indicador de janeiro a outubro de 2007. O peso dos
protestos esse ano foi ligeiramente superior ao registrado no mesmo período do
ano passado, que foi de 40,3%.
Os cheques sem fundos ficaram em segundo lugar no ranking de
representatividade da inadimplência das empresas, com uma participação de 38,2%
nos dez meses de 2007. No acumulado de janeiro a outubro de 2006, os cheques
sem fundos foram responsáveis por 39,8% da inadimplência das pessoa
jurídicas.
Por último ficaram as dívidas com os bancos, que tiveram participação de
21,4% na inadimplência das empresas. O peso desses registros vem crescendo a
cada ano. De janeiro a outubro de 2006, as dívidas com o sistema financeiro
representaram 19,9% da inadimplência.
Na comparação dos dez meses de 2007 com o mesmo período do ano passado houve
alta no valor médio dos títulos protestados (R$ 1.486,33). A evolução no
período foi de 6,7%. Já os cheques sem fundos tiveram um valor médio de R$
1.162,76 no acumulado de janeiro a outubro deste ano, com queda de 5,4% em
relação a 2006.
No acumulado dos dez meses de 2007, o valor médio das dívidas com as
instituições financeiras foi de R$ 4.099,40. Na comparação com o mesmo período
de 2006, o valor médio dessas dívidas aumentou 11,7%.
Segundo os técnicos da Serasa, o crescimento na inadimplência das pessoas
jurídicas ocorreu pela maior oferta de crédito e pelo descompasso de prazos
entre o financiamento ao cliente (longo prazo) e o financiamento do capital de
giro das empresas (curto prazo). Há também a dificuldade das empresas
exclusivamente exportadoras, cuja rentabilidade vem sendo comprometida pela
valorização do real.
Para as empresas dependentes de capital de terceiros, os juros ainda
continuam elevados e exigem um grande retorno das atividades, o que também pode
gerar inadimplência. Nesse aspecto, as micro e pequenas empresas ainda são
especialmente afetadas, e precisam estar preparadas para tomar e conceder bem o
crédito.
Metodologia
O Indicador Serasa de Inadimplência Pessoa Jurídica, por analisar eventos
ocorridos em todo o Brasil, reflete o comportamento da inadimplência em âmbito
nacional. O modelo estatístico de múltiplas variáveis considera as variações
registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados e dívidas
vencidas com instituições financeiras.