Em 2005 as vendas de veículos e comerciais leves atingiram 1,629 milhão de
unidades, no acumulado até agosto, indicando um crescimento de 15% sobre igual
período de 2004. A produção nacional deverá ultrapassar a meta de 2,3 milhões
de unidades, chegando a 2,4 milhões, superando em 8,59% a produção de 2004 que
foi de 2,075 milhões de unidades, quando superou o recorde histórico de 1997 de
1,984 milhão.
O estudo elaborado pela Serasa, sobre o desempenho das concessionárias de
veículos, das quatro principais marcas do mercado, Volkswagen, Ford, General
Motors e Fiat, no período de 2000 até junho de 2005, com base nos
demonstrativos contábeis de 1.017 empresas, mostrou comportamentos diferentes
entre as bandeiras.
As concessionárias Ford e Fiat apresentaram evolução real nas vendas de
100,7% e 29,8% respectivamente, já descontada a inflação medida pelo IGP-DI,
enquanto as concessionárias Volkswagem e General Motors tiveram desempenho
inferior, apurando queda real 1,7% no faturamento do período.
No ano de 2000, quando o mercado foi favorecido p ela excelente dinâmica da
economia brasileira, as empresas tiveram evolução real de vendas da ordem de
11,4% em relação a 1999, ano base do estudo.
O desempenho das empresas, a partir do ano 2000, pode ser dividido em dois
períodos distintos, até 2003 e após 2004.
No primeiro período, de 2001 a 2003, ocorreu um ciclo de queda nas vendas,
provocado por acontecimentos econômicos como a crise de energia elétrica, a
crise Argentina, o aumento dos juros, o encurtamento dos prazos de
financiamento, que reduziu o poder de compra da população. A expressiva
elevação do dólar e o processo eleitoral presidencial, alimentaram a incerteza
quanto à manutenção do emprego, levando muitos consumidores a adiarem seus
planos de comprar a prazo, afetando diretamente as vendas de veículos.
Nesses três anos, três das quatro bandeiras analisadas tiveram perdas reais
de vendas, as concessionárias Volkswagen tiveram queda de 33,9%, as da General
Motores, 22,6% e as da Fiat, 19,8%. A exceção foi a Ford que iniciou a
recuperação de mercado lançando novos modelos como o Novo Fiesta e o EcoEsport,
mantendo suas vendas no mesmo patamar do ano 2000, mesmo tendo apresentado
queda de faturamento em 2002 de 19,1%.
O segundo período, abrangendo o ano de 2004 e o primeiro semestre de 2005,
verifica-se a retomada do crescimento de vendas nas concessionárias com
evolução de 22% nas vendas. Essa recuperação foi resultado de uma taxa de juros
real menor, e da suave melhora na massa real de renda, que aumentou 1,9% em
relação a 2003, e das melhores condições de crédito, com a ampliação dos prazos
de pagamento, favorecendo principalmente a comercialização de bens duráveis.
Outro fator importante foi a consolidação do mercado de veículos
bi-combustíveis que influenciou a antecipação da decisão de troca do carro
novo.
Nesse ano as concessionárias obtiveram os maiores faturamentos do período em
estudo, com destaque para a Ford (38,1%) e Fiat (23,8%), enquanto a Volkswagem
e a General Motors ficaram na faixa de 15%.
No primeiro semestre de 2005, segundo dados da Fenabrave, o aumento da
disponibilidade de crédito e a queda na taxa de desemprego favoreceram as
vendas de automóveis e de comerciais leves, que cresceram respectivamente,
10,1% e 19,05% em relação ao mesmo período do ano passado.
Os automóveis e os comerciais leves com a tecnologia bi-combustíveis vêm
sendo o grande destaque, saindo de uma participação de 11,8% em janeiro/04 para
61,7% em agosto/05,.
A Ford começou nesse semestre a comercializar Comerciais Leves
Bi-Combustível, iniciando em fevereiro com 6 unidades. Em junho, a Ford atinge
2.470 comerciais emplacados, sendo o vice-líder de mercado ficando atrás
somente da Fiat. Vale destacar, que no mês de junho, houve um crescimento
significativo nesse segmento.
Por outro lado, conforme dados da Fenabrave, foi verificado redução
significativa na venda de veículos populares, passando de 63,9% das vendas em
janeiro/04 para 53,9% em fevereiro/05, favorecendo a rentabilidade das
concessionárias. Após o lançamento dos populares bi-combustíveis a participação
subiu para 57,7% em agosto/05.
Faturamento
Rentabilidade
Face a conjuntura econômica descrita, no primeiro período (2001 a 2003) o
acirramento da concorrência e o elevado volume de feirões de automóveis
promovidos pelas montadoras, reduziram as margens do setor, sendo que em 2003
ainda estava abaixo de 1%, influenciando as empresas buscarem alternativas como
a venda de consórcios, a intermediação de crédito e a venda de seguros.
Destaca-se o desempenho da Ford que saindo de prejuízo em 2000, a partir de
2003 passou a liderar em lucratividade dentre as quatro bandeiras graças a
reestruturação das distribuidoras e ao bom desempenho de vendas dos novos
modelos lançados.
A Ford e a General Motors apuraram as melhores margens do período 0,9% e
0,6% respectivamente enquanto a Fiat e a Volkswagem permaneceram na casa dos
0,3%.
Em 2004, as empresas voltaram a melhorar a rentabilidade, embaladas pelo
aquecimento da economia que estimulou o incremento das vendas e serviços
proporcionados pela demanda aquecida dos veículos bi-combustíveis.
A Ford continuou liderando com margem de 1,3%, seguido da Fiat (1,2%),
Volkswagem (1,1%) e permanecendo a General Motors com a menos rentável.
Em 2005 o aumento da quantidade de veículos vendidos, principalmente com
tecnologia Bi-Combustível, que se tornou líder de vendas e, conforme dados da
Fenabrave, foi verificado redução significativa na venda de veículos populares,
passando de 57,14% do total de vendas 2004 para 46,23% em 2005, favoreceu a
rentabilidade das concessionárias.
A Ford novamente se destacou obtendo rentabilidade de 1,3%, beneficiado pelo
início da comercialização de Comerciais Leves Bi-Combustível, enquanto a
Volkswagem e a Fiat situaram-se em torno de 1% e a General Motores apresentando
a menor rentabilidade entre as quatro bandeiras.
Rentabilidade