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(0xx11) 33 Serasa

Estudos Econômicos
Investimentos nos segmentos ligados à infra-estrutura estão em declínio desde 2000, diz Serasa
18/01/2005

Um estudo inédito da Serasa, maior empresa do Brasil em pesquisas, informações e análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios e referência mundial no segmento, elaborado a partir dos demonstrativos contábeis de mais 11.000 empresas do setor de serviços, tais como saneamento, energia elétrica, telecomunicações, transportes rodoviários e de cargas, concessionárias de rodovias públicas, portos e construção civil, mostra que os investimentos em ativos fixos realizados pelas empresas dos mais importantes segmentos de infra-estrutura do país, apresentam declínio nos últimos 4 anos. O indicador foi calculado com base na seguinte metodologia: para cada ano, foi apurada a variação dos ativos imobilizados e o resultado dessa variação foi dividido pelo faturamento do último exercício do período, chegando-se ao índice de investimento que indica o percentual de faturamento destinado a aplicações em ativos destinados à produção de serviços, como máquinas, equipamentos e tecnologia.

Em 2000, os investimentos em ativos fixos representaram 19,6% do faturamento anual. Desde 2001 eles vêm caindo sistematicamente chegando a 7,3% em 2003. No ano de 2004, até setembro, o quadro não é diferente e os investimentos totais situam-se em 6% do faturamento. Mesmo com o faturamento crescendo em 2004, em função do aquecimento da economia, e com o retorno dos lucros em 2003 e 2004, a carência de investimentos evidencia a necessidade da definição de regras claras que viabilizem a inversão de novos recursos para dinamizar esse setor que é de grande importância para o desenvolvimento do país.

A pesquisa aponta ainda que o faturamento cresceu menos, quando comparado ao desempenho de todos os setores da economia, entre os anos de 1994 a setembro de 2004. Nesse período, o setor amargou altos prejuízos, reduziu os investimentos em ativos fixos ao mesmo tempo em que aumentou seu endividamento. Tal quadro é reflexo, em grande medida, da inexistência de um ambiente de negócios adequado aos investimentos em infra-estrutura no país.

O faturamento das empresas do setor de serviços cresceu, nesses onze anos, 49,6%, ao passo que as empresas de todos os setores cresceu 71,4%. A margem de lucro sobre o faturamento também é maior para todo o mercado que para as empresas do setor de serviços. No período, a taxa anual média de lucro do mercado ficou em torno de 2,8%, ao passo que para o setor de serviços foi de 0,7%, em função dos prejuízos do período.

A demora na definição de regras para os setores ligados à infra-estrutura e de serviços de utilidade pública e o fraco desempenho da economia no período, limitaram a realização de investimentos por parte das empresas do setor. No período, a taxa média de crescimento dos investimentos em ativos fixos foi insuficiente para compensar a inflação acumulada no período. Tal fato, implicou uma redução acumulada dos ativos imobilizados pelo setor de 21% no período de 1993 a 2004.

Quatro ciclos

No estudo elaborado pela Serasa foram identificados quatro ciclos ocorridos entre 1994 e 2004. O primeiro ciclo apontado começa em 1994 e vai até 1996. Esse período é caracterizado pela estabilização monetária, que inseriu um maior número de pessoas no mercado consumidor e significou um aumento no faturamento das empresas em geral. Enquanto o faturamento das empresas em geral cresceu 26% no acumulado dos três anos, o das prestadoras de serviços evoluiu em menor proporção, 15,3%, devido, principalmente, ao congelamento das tarifas públicas nos anos de 1994 e 1995 – expediente utilizado à época para redução das pressões inflacionárias – que impactou as então empresas estatais, em especial, as de energia, telefonia e saneamento. A queda no faturamento dessas empresas afetou sua lucratividade. No período, o setor de serviços amargou 1% de taxa de prejuízo anual médio. Estes prejuízos, no entanto, não impactaram os investimentos realizados pelas empresas do setor. As taxas de investimento anual como percentual do faturamento nesse ciclo foram as maiores de todo o período analisado, ficando, em média, próximas a 20%. O saneamento das contas das estatais que seriam privatizadas, bem como a necessidade de mantê-las atrativas ao investidor privado, explicam a manutenção dos investimentos realizados pelo setor no período.

Entre 1997 e 1999, considerado aqui como o segundo ciclo, aconteceram vários fatores adversos, tais como as crises financeiras dos países do sudeste asiático, a moratória da Rússia, o aumento das taxas de juros e a mudança do regime cambial, com a adoção do câmbio flutuante. Nesse período, o governo reajustou as tarifas públicas, visando dar continuidade ao processo de atração de compradores das empresas que seriam privatizadas. Após a privatização dos setores de telefonia (concluída em 1998) e de energia elétrica, que ocorreu nesse ciclo, as empresas conseguiram incrementar seu faturamento através de significativa melhora e ampliação dos serviços prestados, com conseqüente aumento na base de clientes. Com isso, o faturamento cresceu, no período, 14,4%. O ano de 1999, no entanto, destoa dos demais, apresentando queda de 3%. As restrições na renda disponível das famílias, bem como a mudança cambial, afetaram a economia como um todo e vários setores de serviços como transportes, construção civil e energia elétrica foram afetados.

O ano 2000 foi marcado pela excelente dinâmica da economia brasileira caracterizada pelo bom desempenho das exportações, continuidade das expectativas positivas dos consumidores, melhora do nível de emprego, redução das taxas de juros, queda da inadimplência e maior volume de crédito concedido, fatores que garantiram o aumento dos negócios das empresas do setor. Como conseqüência, ocorreu o aumento do endividamento em função do novo patamar de negócios, sem comprometer a rentabilidade. O destaque deste período, fica por conta do setor de telefonia, que teve maior demanda por serviços, apresentando crescimento de 22,8% no número de telefones instalados, bem como ampliação de 62,2% nos acessos de telefone celular. Ainda neste ano, o segmento foi beneficiado pelo reajuste das tarifas de telefonia fixa.

No ciclo de 2001-2003, o setor de serviços foi fortemente impactado pela elevação da taxa de câmbio, pelo menor nível de atividade econômica, perda de poder aquisitivo da população, alto índice de desemprego, restrições creditícias, incertezas geradas pela eleição presidencial e altas taxas de juros. A exceção foi o segmento de energia elétrica, que em 2001 celebrou acordo com o Governo Federal para garantir as receitas contratuais, registrando um incremento de 20,6% no faturamento, fato que não se repetiu em 2002. Apesar da manutenção do nível de geração de caixa, medida pelo Ebitda, o lucro se reduziu para 0,3% em 2001 e houve prejuízo de 5,4% em 2002, causado pela elevação dos juros e do câmbio, principalmente em 2002. Em 2003 com a redução das taxas de juros e do câmbio no segundo semestre a rentabilidade foi beneficiada, chegando-se a 4,5% do faturamento, o maior lucro em 10 anos.

O ano de 2004 marca a retomada do crescimento econômico, que beneficiou todo o setor. O faturamento cresceu 5,4%, muito próximo dos 5,5% obtido pelos demais segmentos, influenciado pela recuperação da maioria dos segmentos da economia, bem como pelo maior nível de emprego, da massa salarial e aumento do volume de crédito, embora as taxas de juros ainda permaneçam em patamares elevados. A geração de caixa das empresas, medida pelo Ebitda, e a rentabilidade também voltam a crescer, permitindo pequena redução do nível de endividamento. No entanto, a taxa de investimento em ativos fixos foi a mais baixas dos últimos 11 anos. Nesse ano ela representou 6,0% do faturamento líquido contra 23,1% obtida em 1994.

PPP

Um fato importante que deve contribuir para a melhora do desempenho do setor de serviços ligados à infra-estrutura é a recente aprovação do projeto de lei da Parcerias Público-Privadas (PPPs) que permitirá a concessão de serviços de obras públicas à iniciativa privada, que poderá realizar investimentos com a contrapartida de garantia de rentabilidade mínima para empreendimentos importantes socialmente, mas com baixo retorno econômico.

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