O Indicador Serasa de Inadimplência – o único do país baseado em modelo
estatístico de múltiplas variáveis, que contempla todas as modalidades de
inadimplência da economia brasileira (registros de cheques devolvidos, títulos
protestados, dívidas vencidas com bancos, empresas do varejo, cartões de
crédito e financeiras) – apontou que, em outubro, a inadimplência de pessoa
física registrou crescimento de 12,6%, comparada a setembro.
Na comparação de outubro de 2004 com o mesmo mês do ano anterior, o índice
de inadimplência de pessoa física apresentou expansão de 8,3%. No acumulado do
ano até o mês de outubro, a inadimplência de pessoa física mostrou pequeno
crescimento de 1,6% em relação a igual período de 2003, que registrou elevação
de 5,1% na comparação com iguais meses de 2002.
O Indicador Serasa de Inadimplência indica que os cheques sem fundos tiveram
a maior representatividade na inadimplência de consumidores em comparação com
2003. Nos dez meses deste ano, os cheques devolvidos representaram 36% do total
do indicador de pessoa física. O percentual é o mesmo registrado nos mesmos
meses do ano passado. Em 2002, foi 37%, em igual período.
O segundo maior índice na representatividade é o registro de inadimplência
de cartões de crédito e financeiras, que no acumulado do ano teve participação
de 33%, a mesma registrada em 2003. Já em 2002, a participação era 35%. O
índice que aponta os registros de dívidas com os bancos apresentou a terceira
maior participação no indicador, com 29%; a mesma em 2003. Em 2002, 26%. Com a
menor representatividade estão os títulos protestados, 2% em 2004, mesma
variação apresentada em 2003 e em 2002.
O valor médio das anotações negativas de cheques sem fundos de pessoa física
foi R$ 453 em outubro de 2004. Já os registros de títulos protestados foi R$
626. Os registros de dívidas com os bancos situou-se em R$ 937, e de cartões de
crédito e financeiras atingiu R$ 242.
Segundo os técnicos da Serasa, o aumento da inadimplência de pessoa física
pode ser atribuído ao reajuste dos preços administrados (energia, telefonia e
combustíveis), que acabaram por onerar o orçamento das famílias e a queda da
renda real dos trabalhadores. Apesar do crescimento econômico ter proporcionado
uma elevação do número de vagas de emprego, esse fato ainda não se refletiu no
aumento do poder aquisitivo. Outro aspecto a ser destacado é a elevação
sucessiva da taxa básica de juros, que encareceu as modalidades de crédito ao
consumidor.