O Indicador Serasa de Inadimplência - mais completo índice do país baseado
em modelo estatístico de múltiplas variáveis, que contempla todas as
modalidades de inadimplência da economia brasileira (registros de cheques
devolvidos, títulos protestados, dívidas vencidas com instituições financeira,
empresas do varejo, cartões de crédito e financeiras) – apontou queda de 1,9%
da inadimplência total (pessoa jurídica + pessoa física) no primeiro
quadrimestre de 2004, na comparação com o mesmo período de 2003, que apresentou
elevação de 6,1% em relação ao mesmo quadrimestre de 2002.
Na comparação bimestral, o Indicador de inadimplência total apontou
estabilidade, 0,5%, na relação mar-abr2004/mar-abr2003. O segundo bimestre do
ano passado teve crescimento 3,4% contra o mesmo período de 2002. A
inadimplência total no primeiro bimestre deste ano teve uma queda de 4,5% em
relação ao primeiro bimestre de 2003, que cresceu 9,1% em relação a 2002.
De acordo com o índice da Serasa, os cheques sem fundos tem a maior
representatividade na inadimplência total (PF+ PJ). No primeiro quadrimestre de
2004, os cheques devolvidos representaram 35% do total do indicador, um ponto
abaixo da marca de março de 2003, 36%. Em 2002, a participação de cheques sem
fundos no Indicador Serasa de Inadimplência total foi 38%.
O segundo índice na representatividade é o registro de inadimplência de
cartões de crédito e financeiras, que apresentou, de janeiro a abril de 2004,
participação de 32%; maior do que a registrada em 2003 e 2002 (31%).
O índice registros no sistema financeiro (bancos) tem este ano a terceira
maior participação no indicador, 27%, um ponto percentual acima do registrado
em 2003 (26%). Em 2002, o índice foi 24%. Com a menor representatividade,
mantêm-se os títulos protestados, 6% em 2004 e 7% em 2003 e 2002.
Segundo o estudo, o valor médio das anotações negativas de cheques sem
fundos (PF+PJ) em abril de 2004 foi de R$ 774; de títulos protestados foi de R$
906; de registros no sistema financeiro foi de R$ 1.795; e de registros outros
segmentos (cartões de crédito e financeiras) foi de R$ 352.
Os técnicos da Serasa ressaltam que o Indicador total de inadimplência
apontou queda, no primeiro quadrimestre de 2004, nas modalidades empresas e
consumidores. O recuo do Indicador Serasa de Inadimplência total é explicado
por dois fatores. O primeiro se refere ao maior nível de atividade econômica
registrado este ano que contribuiu para o aumento das vendas das empresas,
principalmente do setor industrial e agronegócios, que foram favorecidas pela
expansão das exportações. A realização de novos negócios, o melhor controle de
estoques e a renegociação de preços e prazos com fornecedores permitiram às
empresas administrar o orçamento de modo mais equilibrado.
A segunda razão é a expansão dos empréstimos ao consumidor, usados para
aliviar a vida financeira. Isto é, os consumidores tem optado pela contratação
de crédito pessoal para a complementação da renda das famílias e para pagamento
de dívidas. O destaque nesses empréstimos é para as operações consignadas em
folha de pagamento, cujas taxas situam-se próximas de 2% ao mês. O desemprego,
a queda da renda, os juros elevados, o aumento das tarifas públicas, a não
correção da tabela de Imposto de Renda e a criação de novos impostos e taxas
formam um conjunto determinante para a menor renda disponível, o que dificulta
o pagamento de compromissos assumidos anteriormente. A administração e o
equilíbrio do orçamento doméstico foram os maiores desafios para o consumidor
neste primeiro quadrimestre, fato que definiu a priorização dos pagamentos e
renegociação das dívidas, simultaneamente ao menor consumo.