O Indicador Serasa de Inadimplência – o único do país baseado em modelo
estatístico de múltiplas variáveis, que contempla todas as modalidades de
inadimplência da economia brasileira (registros de cheques devolvidos, títulos
protestados, dívidas vencidas com instituições financeira, empresas do varejo,
cartões de crédito e financeiras) - apontou ligeira queda da inadimplência de
pessoa física. De janeiro a abril de 2004, a inadimplência de pessoa física
caiu 0,3% na comparação com o mesmo quadrimestre de 2003.
Segundo técnicos da Serasa*, a ligeira queda da inadimplência de pessoa
física em 2004 é resultado da expansão dos empréstimos ao consumidor, usados
para aliviar a vida financeira. Isto é, os consumidores tem optado pela
contratação de crédito pessoal para a complementação da renda das famílias e
para pagamento de dívidas. O destaque nesses empréstimos é para as operações
consignadas em folha de pagamento, cujas taxas situam-se próximas de 2% ao
mês.
Para o consumidor, o desemprego, a queda da renda, os juros elevados, o
aumento das tarifas públicas, a não correção da tabela de Imposto de Renda e a
criação de novos impostos e taxas formam um conjunto de fatos determinantes
para a menor renda disponível, o que dificulta o pagamento de compromissos
assumidos anteriormente. A administração e o equilíbrio do orçamento doméstico
foram os maiores desafios para o consumidor neste primeiro quadrimestre, fato
que definiu a priorização dos pagamentos e renegociação das dívidas,
simultaneamente ao menor consumo.
O Indicador Serasa de Inadimplência apontou que os cheques sem fundos
registraram a maior representatividade na inadimplência de consumidores em
comparação com 2003. Em abril deste ano, os cheques devolvidos representaram
36% do total do indicador de PF (Pessoa Física). O percentual é o mesmo
registrado em abril do ano passado.
O segundo maior índice na representatividade é o registro de inadimplência
de cartões de crédito e financeiras, que em abril teve participação de 33%, a
mesma registrada em 2003.
O valor médio das anotações negativas de cheques sem fundos (PF), R$ 421,
cresceu 17,1% em abril de 2004, na comparação com o mesmo mês de 2003. Já o de
títulos protestados este ano, R$ 597, teve aumento de 9,3% quando comparados
com abril de 2003. No entanto, o valor médio dos registros no sistema
financeiro, R$ 902, e de registros outros segmentos (cartões de crédito e
financeiras), R$ 229, apresentou respectivamente diminuição de 8,7% e 1,1%.