Segundo o estudo nacional da empresa, de cada 100 novos incluídos, 87
deixaram a base de dados de registro de não pagamento.
São Paulo, 11 de maio de 2004 - Um levantamento nacional da Serasa*, maior
empresa do Brasil em informações e análises econômico-financeiras para apoiar
decisões de crédito e negócios e referência mundial no segmento, revela que, de
janeiro a março deste ano, houve um crescimento recorde do número de
regularizações de pendências de pessoas físicas, ante o mesmo período de
2003.
Os registros de pendências financeiras resolvidos de janeiro a março de 2004
são 87% do número de novas pendências incluídas no mesmo período. Isto é, de
cada 100 novos incluídos, 87 deixaram a base de dados de registro de não
pagamento.
O percentual de baixa é 5% maior do que o registrado no primeiro trimestre
de 2003, que guarda o recorde anual de regularizações de pendências, 82%. Nos
12 meses de 2002, esse percentual foi cerca de 50%. Em anos anteriores,
oscilava entre 30% e 40%.
De acordo com o estudo da Serasa, de janeiro a março de 2004, cerca de 46
milhões de pessoas entraram na base de dados e 40 milhões regularizaram a
situação no mesmo período.
No primeiro trimestre de 2003, 46 milhões de pessoas entraram na base de
dados. Nesse período, 38 milhões baixaram o nome da lista de inadimplentes,
registrando a maior regularização de pendências já registrada em um
trimestre.
A Serasa tem hoje cerca de 22 milhões de pessoas físicas e jurídicas com
anotações de não pagamento (como por exemplo cheques sem fundos e títulos
protestados, entre outros) em seu banco de dados.
A pesquisa da Serasa revela ainda que em março de 2004 a maioria das
anotações no cadastro de inadimplência de pessoa física é de cheques sem
fundos. Segundo estudo do Indicador Serasa de Inadimplência, cerca de 36% das
anotações se referem a cheques sem fundos, 33% cartões de crédito e
financeiras, 29% a dívidas no sistema financeiro (bancos) e 2% títulos
protestados. O registro dessas informações de inadimplência segue um processo
formal, nos termos do Código de Defesa do Consumidor, baseado em um contrato
específico. Antes de incluir o nome de uma pessoa no cadastro de inadimplentes,
a Serasa envia comunicação prévia, conforme determinação do Código de Defesa do
Consumidor.
Segundo a Serasa, o movimento de inclusões e baixas no primeiro trimestre de
2004 mostra que o consumidor continua priorizando o pagamento de dívidas como
ocorreu ao longo de 2003. Para os técnicos da empresa especializada em
informação e análise de crédito, o fator que mais contribuiu para esse aumento
das baixas de títulos vencidos, foi a troca de dívidas mais caras por dívidas
mais baratas, já que a economia ainda apresenta alto desemprego, taxas de juros
em patamares elevados, queda de renda, fatores que combinados com aumentos de
impostos e criação de taxas municipais têm reduzido ainda mais a renda
disponível para consumo e pagamento das dívidas assumidas.
A demanda de crédito pelas pessoas físicas em março de 2004, junto ao
sistema financeiro, subiu 3,79% em relação ao montante concedido em fevereiro
de 2003, novamente sem reação equivalente no desempenho do varejo, o que
evidencia a prática de negociação e a troca de dívidas – novas por antigas –
para pagamento de compromissos do consumidor. Esta prática precisa ser
monitorada e o crédito bem concedido, com metodologia adequada, porque as taxas
de juros ainda estão elevadas, além dos outros fatores conjunturais já
mencionados.
A reativação da economia é determinante para a reversão das expectativas e
para a geração de empregos, o que facilita o pagamento das dívidas, promove a
maior contratação de crédito e amplia o consumo.