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(0xx11) 33 Serasa

Estudos Econômicos
Cheque sem Fundos 2004
24/03/2004

Inadimplência com cheques em fevereiro sobe 2,6%, indica estudo da Serasa. Em fevereiro de 2004, foram devolvidos, por insuficiência de fundos, 16 cheques a cada lote de mil compensados, revela estudo mensal da Serasa. O número supera as devoluções de janeiro de 2004, de 15,6 a cada mil compensados, e também o volume apresentado há um ano, em fevereiro do ano passado, de 14,3, e é recorde do mês de fevereiro desde que o estudo começou a ser feito em 1991.

O estudo da Serasa, maior empresa do Brasil em análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios e referência mundial no segmento, mostra que em fevereiro de 2004 foram compensados, em todo o país, 158,4 milhões de cheques, dos quais, 2,53 milhões devolvidos por falta de fundos.

Apesar do volume de cheques devolvidos em fevereiro deste ano ser ligeiramente menor, em 1,9%, do que o registrado em fevereiro de 2003 (2,58 milhões), o total de cheques compensados caiu, 12,1%, por causa também do menor número de dias úteis em fevereiro de 2004, com a ocorrência do Carnaval, que no ano anterior foi em março.

Em comparação com janeiro de 2004, os cheques devolvidos no segundo mês de 2004 aumentaram 2,6%. A comparação anual – fevereiro de 2004 ante fevereiro do ano passado - mostra crescimento de 11,9%, sempre considerando segunda devolução.

O pico de inadimplência com cheques ocorreu em maio de 2003, quando, em cada mil cheques compensados, 17,6 retornaram sem fundos. Foi o recorde de devoluções, sob todos os aspectos de comparação, desde a criação do indicador, em 1991. A media anual em 2003 também foi recorde, de 15,5 cheques devolvidos a cada mil compensados.

O principal fato que justifica a alta de cheques devolvidos por falta de fundos em fevereiro deste ano se refere ao aumento das vendas no varejo no Natal 2003, em relação ao mesmo período de 2002, conforme apontado pelos estudos econômicos da Serasa, com a prática de alongamento nos prazos de aceitação dos cheques pré-datados.

A permanência de conjuntura não favorável ao consumidor – juros elevados, alto desemprego e renda em queda – no primeiro bimestre de 2004, somada a não correção da tabela do Imposto de Renda e a criação de novos impostos e taxas, deixam menor renda disponível para o consumidor honrar os compromissos assumidos anteriormente.

Quanto às perspectivas, segundo a Serasa, desde 2002, o primeiro semestre do ano concentra as marcas mais altas de inadimplência com cheques, devido ao alongamento de prazos praticados nas vendas com cheques pré-datados no Natal. Em 2004, este fato deve novamente ocorrer, pois o primeiro trimestre ainda não mostra sinais generalizados de melhoria na atividade econômica, sobretudo no que diz respeito aos seus reflexos nos indicadores de desemprego e renda.

Em razão dos fatos apontados, somente a melhora da conjuntura, quanto à geração de emprego, queda dos juros e recuperação da atividade econômica, poderá trazer algum alívio para o consumidor.

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