Segundo o estudo nacional da empresa, de cada 100 novos incluídos, 86
deixaram a base de dados de registro de não pagamento.
Um levantamento nacional da Serasa, maior empresa do Brasil em informações e
análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios e
referência mundial no segmento, revela que, em janeiro de 2004, houve um
crescimento recorde do número de regularização de pendências de pessoas
físicas, ante o mesmo mês de 2003.
Os registros de pendências financeiras resolvidos em janeiro deste ano são
86% do número de novas pendências incluídas no mesmo período. Isto é, de cada
100 novos incluídos, 86 deixaram a base de dados de registro de não
pagamento.
O percentual de baixa é 18% maior do que o registrado no ano todo de 2003,
que guarda o recorde anual de regularizações de pendências, 73%. Nos 12 meses
de 2002, esse percentual foi cerca de 50%. Em anos anteriores, oscilava entre
30% e 40%. O pico de baixas em 2003 ocorreu em agosto, quando 94,8% dos
inadimplentes regularizaram suas pendências.
De acordo com o estudo da Serasa, em janeiro de 2004, cerca de 1,4 milhão de
pessoas entraram na base de dados e 1,2 milhão deixaram o cadastro.
De janeiro a dezembro de 2003, 24,1 milhões de pessoas entraram na base de
dados. Nesse período, 17,6 milhões baixaram o nome da lista de inadimplentes, a
maior regularização de pendências já registrada em um ano. A Serasa tem hoje
cerca de 20 milhões de pessoas físicas e jurídicas com anotações de não
pagamento (como por exemplo cheques sem fundos e títulos protestados, entre
outros) em seu banco de dados.
A pesquisa da Serasa revela ainda que em janeiro de 2004 a maioria das
anotações no cadastro de inadimplência de pessoa física é de cheques sem
fundos. Segundo estudo do Indicador Serasa de Inadimplência, cerca de 36% das
anotações se referem a cheques sem fundos, 33% cartões de crédito e
financeiras, 29% a dívidas no sistema financeiro (bancos) e 2% títulos
protestados. O registro dessas informações de inadimplência segue um processo
formal, nos termos do Código de Defesa do Consumidor, baseado em um contrato
específico. Antes de incluir o nome de uma pessoa no cadastro de inadimplentes,
a Serasa envia comunicação prévia, conforme determinação do Código de Defesa do
Consumidor.
Segundo a Serasa, o movimento de inclusões e baixas no primeiro mês de 2004
mostra que o consumidor continua priorizando o pagamento de dívidas como
ocorreu ao longo de 2003. No caso específico de janeiro, isso ocorre por causa
do maior endividamento do consumidor no Natal de 2003, ante a permanência do
alto desemprego, das elevadas taxas de juros, dos aumentos de impostos e da
criação de taxas, o que determina uma menor renda disponível para o pagamento
de dívidas.
A demanda de crédito pelas pessoas físicas em janeiro/2004, junto ao sistema
financeiro, subiu 1,05% em relação ao montante concedido no mês anterior
(dezembro/2003), mesmo com a ocorrência do Natal, e novamente sem reação
equivalente no desempenho do varejo, o que evidencia a prática de negociação e
a troca de dívidas – novas por antigas – para pagamento de compromissos do
consumidor. Esta prática precisa ser monitorada e o crédito bem concedido, com
metodologia adequada, porque as taxas de juros ainda estão elevadas, além dos
outros fatores conjunturais já mencionados.
A reativação da economia é determinante para a reversão das expectativas e
para a geração de empregos, o que facilita o pagamento das dívidas, promove a
maior contratação de crédito e amplia o consumo.