O Indicador Serasa do Nível de Atividade do Comércio apurou no fim-de-semana
que antecede o Natal, em todo o Brasil, um crescimento de 13% nas vendas à
vista e com cheques pré-datados e de 28,7% nas vendas a prazo, em relação ao
mesmo período de 2002. As vendas totais (à vista + a prazo) subiram 13,2% na
mesma base de comparação.
O período todo do Natal, as duas últimas semanas de dezembro, de 2002 é
considerado uma base fraca, o que torna representativa qualquer variação
registrada pelo comércio no mesmo período de 2003.
De acordo com Carlos Henrique de Almeida, assessor econômico da Serasa, o
consumidor manteve-se cauteloso durante todo o ano, evitou assumir novas
dívidas, se ausentou do consumo nas grandes datas do varejo e priorizou o
pagamento das dívidas. Almeida destaca que a conjuntura econômica ao longo do
1º semestre de 2003 foi muito difícil para o consumidor, com o agravamento do
desemprego e da queda da renda, além dos elevados juros praticados pelo
mercado.
Na semana passada (que antecede a do Natal), incluindo o final-de-semana, de
15 a 21 de dezembro, comparada com o período equivalente de 2002 ( 16 a 22 de
dezembro), as vendas à vista e com cheques pré-datados cresceram 11,4%, as a
prazo evoluíram 23,8% e as vendas totais ( à vista + a prazo) subiram 11,6%, em
todo o Brasil.
Segundo o assessor econômico da Serasa, o apelo mercadológico do varejo, por
meio de promoções de preços e alongamento nos prazos de financiamento, está
conseguindo alavancar as vendas, mesmo num ambiente de renda em queda,
desemprego e juros ainda altos. Nesta direção, estão beneficiadas pelo crédito
as vendas de produtos com maior valor agregado, como os eletroeletrônicos,
especialmente aparelhos de DVD, e celulares. No rol dos produtos de menor valor
estão as confecções, brinquedos e CD’s. Os agentes econômicos estão
vislumbrando um 2004 bem melhor e se sentem mais confiantes em realizar suas
intenções de consumo.
Almeida chama a atenção para a necessidade da boa concessão de crédito pelo
varejo nesta data, com metodologia adequada, sobretudo no caso de vendas com
prazos mais longos, que embutem maior risco de não ter o pagamento honrado.
“Ademais, vale lembrar que o primeiro trimestre do ano, sempre carrega
sazonalidade de inadimplência, em 2003, pela mesma prática de alongamento de
prazos, no natal de 2002, acabou esticando esta sazonalidade até maio. O
crédito precisa ser bem concedido para não repetir, no início de 2004, a
inadimplência elevada que caracterizou o começo de 2003.”
Para Carlos Henrique de Almeida, “as perspectivas para esta semana do Natal
2003 são melhores, pois incluirão os recursos decorrentes da segunda parcela do
13º salário e do lote de restituição extra do Imposto de Renda, a ser paga
hoje, além das tradicionais compras de última hora.”
O Indicador Serasa do Nível de Atividade do Comércio tem como base uma
amostra das consultas realizadas às suas soluções de apoio à decisão de crédito
e negócios em geral. A Serasa recebe 2,5 milhões de consultas/ dia feitas por
todos os segmentos da economia, em todo o território nacional.