O volume de dinheiro destinado aos empréstimos do sistema financeiro subiu
155,1%, enquanto a inadimplência, 88,2%, de janeiro de 1999 até agosto de
2003.
O Indicador Serasa de Inadimplência - o mais completo índice do país baseado
em modelo estatístico de múltiplas variáveis, que contempla todas as
modalidades de inadimplência da economia brasileira (registros de cheques
devolvidos, títulos protestados, sistema financeiro, cartões de crédito e
financeiras)- apontou queda do ritmo de crescimento de pessoa física. De
janeiro a setembro de 2003, a inadimplência de pessoa física cresceu 5,9% na
comparação com o mesmo período de 2002, que evoluiu 28,8% ante 2001.
De acordo com o índice da Serasa, os cheques sem fundos também apresentaram
queda na representatividade na inadimplência de pessoa física. Em setembro de
2003, os cheques devolvidos representaram 36% do total do indicador de PF. Em
setembro 2002, foi 37%, e em 2001, a participação de cheques devolvidos no
Indicador Serasa de Inadimplência foi 43%.
O segundo índice na representatividade é o registro de inadimplência de
cartões de crédito e financeiras, que apresentou em setembro deste ano
participação de 33%, uma participação menor do que a registrada no mesmo mês do
ano passado, 34%. Em 2001, esse percentual foi 30%.
O índice registros no sistema financeiro (bancos) mantém a terceira maior
participação no indicador, com 29% no nono mês de 2003; 27% em setembro de 2002
e 24% em 2001. Com a menor representatividade, mantêm-se os títulos
protestados, 2% em 2003, mesma variação apresentada em 2002, e 3% em 2001.
Segundo o estudo, o valor médio das anotações negativas de cheques sem
fundos (PF) em setembro de 2003 foi de R$ 378,36; de títulos protestados foi de
R$ 555,43; de registros no sistema financeiro foi de R$ 938,01; e de registros
outros segmentos (cartões de crédito e financeiras) foi de R$ 228,77.
Inadimplência de empresas
O Indicador Serasa de Inadimplência de pessoa jurídica mostrou alta de 6,7%
nos nove meses de 2003, comparado com 2002, que registrou um crescimento de
8,4% em igual período de 2002/2001.
De acordo com o índice da Serasa, a maior representatividade na
inadimplência de PJ é de títulos protestados, 48% em 2003, mesmo percentual de
2002, e 49%, em 2001.
O segundo índice na representatividade é o de cheques sem fundos, que
apresenta queda desde 2001. Em setembro de 2003, os cheques devolvidos
representaram 37% do total do indicador de PJ. O percentual foi mesmo em igual
mês de 2002. Em 2001, a participação de cheques devolvidos no Indicador Serasa
de Inadimplência foi 38%.
O índice registros no sistema financeiro (bancos) mantém a terceira maior
participação no indicador de PJ, com 15% em setembro deste ano; o mesmo
percentual em 2002 e 13% no mesmo mês de 2001.
Segundo o estudo, o valor médio das anotações negativas de cheques sem
fundos (PJ) em setembro de 2003 foi de R$ 987,83; de títulos protestados foi de
R$ 1.319,83; de registros no sistema financeiro foi de R$ 3.038,35.
Inadimplência total (empresas + consumidores)
A inadimplência total (pessoa física e jurídica) apresentou crescimento de
janeiro a setembro de 2003, na comparação com o mesmo período de 2002. No
acumulado de 2003 ( janeiro a setembro) houve aumento de 4,7% da inadimplência,
na comparação nove meses de 2002, que registrou elevação de 20,6% em relação ao
mesmo período de 2001.
De acordo com o índice da Serasa, os cheques sem fundos apresentaram queda
na representatividade na inadimplência total (PF+ PJ). Em setembro de 2003, os
cheques devolvidos representaram 36% do total do indicador. No mesmo mês de
2002, foi de 38%, e, em 2001, a participação de cheques devolvidos no Indicador
Serasa de Inadimplência foi de 42%.
O segundo índice na representatividade é o registro de inadimplência de
cartões de crédito e financeiras, que apresentou em setembro de 2003
participação de 31%; em igual mês de 2002 foi 30% e 27% em 2001.
O índice registros no sistema financeiro (bancos) mantém a terceira maior
participação no indicador, com 26% em setembro de 2003; 25% no mesmo mês de
2002 e 23% no de 2001. Com a menor representatividade, mantêm-se os títulos
protestados, 7% em 2003, mesma variação apresentada em 2002, e 8% em 2001.
Segundo o estudo, o valor médio das anotações negativas de cheques sem
fundos (PF+PJ) em setembro de 2003 foi de R$ 683,77; de títulos protestados foi
de R$ 939,75; de registros no sistema financeiro foi de R$ 1.970,60; e de
registros outros segmentos (cartões de crédito e financeiras) foi de R$
314,61.
Crédito
O Indicador Serasa de Inadimplência revela que o volume de crédito (PF+PJ)
na economia teve um ritmo de crescimento maior do que o da inadimplência total.
O índice mostra que as linhas de financiamento cresceram 74,7% de janeiro de
1999 até agosto de 2003, último dado disponível pelo Banco Central, enquanto a
inadimplência subiu 72,8% no período de janeiro de 1999 a setembro de 2003,
isto sem considerar o crédito mercantil (entre empresas) e aquele concedido via
cheques pré-datados que, de acordo com outro estudo inédito da Serasa,
totalizam montante superior ao concedido por todo o sistema financeiro.
Isolando apenas os dados de pessoa física, a diferença é mais expressiva. O
volume de dinheiro destinado aos empréstimos do sistema financeiro subiu
155,1%, enquanto a inadimplência 88,2%, nos períodos respectivamente
assinalados.
Os dados de pessoa jurídica revelam que enquanto o crédito do sistema
financeiro evoluiu 54,9%, entre janeiro de 1999 a agosto de 2003, a
inadimplência subiu 38,0%, entre os períodos em análise.
O Indicador Serasa de Inadimplência foi lançado pela Serasa em julho de 2002
e é divulgado mensalmente. O seu ponto de partida e ferramental exclusivo é o
banco de dados da Serasa, uma das maiores empresas do mundo em informações e
análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios. A
Serasa é a única organização que tem o registro de todos os segmentos
econômicos do país e de todas as modalidades de crédito.
Avaliação da Inadimplência
Segundos os técnicos da Serasa, apesar da inadimplência, em todas as
modalidades (Pessoa Física e Jurídica), ter apresentado queda no ritmo de
crescimento na comparação janeiro a setembro 2003/2002, quando considerada a
relação verificada no mesmo período de 2002/2001, nota-se que, no caso de
pessoa física o pequeno crescimento ocorre sobre uma base muito elevada. No
caso da inadimplência de empresas, o crescimento entre os dois períodos estão
se tornando cada vez mais próximos, ou seja, o perfil da inadimplência de
pessoas jurídicas deste ano deve repetir 2002.
Para as pessoas físicas, neste ano, o desemprego, a queda da renda, os juros
elevados e o aumento das tarifas públicas e impostos formam um conjunto de
fatos que dificultam o pagamento de compromissos assumidos anteriormente,
restanto ao consumidor restringir seus gastos e adiar compras para privilegiar
o pagamento de suas dívidas. A administração e o esquilíbrio do orçamento
doméstico foram os maiores desafios para o consumidor nestes nove meses de
2003. Algum fôlego deve ser verificado no último bimestre, por conta do
pagamento do 13º salário.
Para as empresas, em 2003, os juros reais elevados e a baixa atividade
econômica determinaram a pontualidade de pagamento junto aos fornecedores. Em
agosto e setembro, se verificou uma ligeira exaustão dessa capacidade de
efetuar pagamento pontual entre as empresas. As empresas menos capitalizadas,
normalmente as micro, pequenas e médias, são as que registram as maiores
dificuldades para honrar seus compromissos, pois sofrem com o alto custo de
carregar estoques e não geram receitas financeiras.
As expectativas são de que a aguardada recuperação da atividade econômica,
no último bimestre do ano, traga uma queda mais acentuada na inadimplência e
sinalize melhores condições para a oferta e a demanda por crédito no primeiro
trimestre de 2004.