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(0xx11) 33 Serasa

Estudos Econômicos
Inadimplência no 1º semestre do governo Lula cresce 3,5%, mas mantém ritmo de queda
10/07/2003

Estudo semestral da Serasa levantou a inadimplência total (pessoa física + jurídica) de janeiro a junho deste ano em todo o país. Pesquisa também aponta,separadamente, a inadimplência de consumidores e empresas.

O Indicador Serasa de Inadimplência - o mais completo índice do país baseado em modelo estatístico de múltiplas variáveis, que contempla todas as modalidades de inadimplência da economia brasileira (registros de cheques devolvidos, títulos protestados, dívidas do sistema financeiro, cartões de crédito e financeiras) - revela que a inadimplência total (pessoas física e jurídica) apresentou crescimento no primeiro semestre de 2003, na comparação com o mesmo período de 2002. De janeiro a junho houve aumento de 3,5% da inadimplência, na comparação com o mesmo período de 2002, que registrou elevação de 26,6% em relação ao 1º semestre de 2001.

De acordo com o índice da Serasa, os cheques sem fundos apresentaram queda na representatividade, em junho de 2003, na inadimplência total (PF + PJ). Em 2003, os cheques devolvidos representaram 36% do total do indicador. No mesmo período de 2002, foi de 38%, e no de 2001, a participação de cheques devolvidos no Indicador Serasa de Inadimplência foi de 44%.

O segundo índice na representatividade é o registro de inadimplência de cartões de crédito e financeiras, que apresentou em junho de 2003 participação de 31%, a mesma participação registrada em igual período de 2002, e 25% em 2001.

A participação dos registros das dívidas com o sistema financeiro (bancos), no indicador de inadimplência, é a terceira maior, com 27% em junho de 2003; 24% no mesmo mês de 2002 e 22% em 2001. Com a menor representatividade, mantêm-se os títulos protestados, 7% em 2003, mesma variação apresentada em 2002, e 9% em 2001.

Segundo o estudo, o valor médio das anotações negativas de cheques sem fundos (PF+PJ) em junho de 2003 foi de R$ 673; de títulos protestados foi de R$ 930; de registros no sistema financeiro foi de R$ 1.934; e de registros outros segmentos (cartões de crédito e financeiras) foi de R$ 323.

Inadimplência de pessoa física

O indicador também apontou queda do ritmo de crescimento da inadimplência de pessoa física. De janeiro a junho de 2003, a inadimplência de pessoa física cresceu 5,9% na comparação com o mesmo período de 2002, que evoluiu 35% ante 2001.

De acordo com o índice da Serasa, os cheques sem fundos também apresentaram queda na representatividade, em junho de 2003, na inadimplência de pessoa física. Em 2003, os cheques devolvidos representaram 36% do total do indicador de PF. No mesmo período de 2002, foi de 37%, e no de 2001, a participação de cheques devolvidos no Indicador Serasa de Inadimplência foi de 45%.

O segundo índice na representatividade é o registro de inadimplência de cartões de crédito e financeiras, que apresentou em junho de 2003 participação de 33%, uma participação menor do que a registrada em igual período de 2002, 35%. Em 2001, esse percentual foi 29%.

A participação dos registros das dívidas com o sistema financeiro (bancos), no indicador de inadimplência de PF, é a terceira maior, com 29% em junho de 2003; 26% no mesmo mês de 2002 e 24% em 2001. Com a menor representatividade, mantêm-se os títulos protestados, 2% em 2003, mesma variação apresentada em 2002, e 3% em 2001.

Segundo o estudo, o valor médio das anotações negativas de cheques sem fundos (PF) em junho 2003 foi de R$ 376; de títulos protestados foi de R$ 555; de registros no sistema financeiro foi de R$ 951; e de registros outros segmentos (cartões de crédito e financeiras) foi de R$ 230.

Segundo o presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca, no caso de pessoa física, apesar da inadimplência ainda apresentar crescimento no 1º semestre, deve-se destacar a queda no ritmo de evolução deste indicador. A inadimplência decorrente das compras de final de ano, que utilizaram prazos mais longos de financiamento, já foram quitadas e/ou renegociadas, fato confirmado pelo Serviço Gratuito de Orientação ao Cidadão da Serasa. Os fatores conjunturais de maior pressão sobre o poder aquisitivo dos consumidores, que estavam presentes no final de 2002, se acentuaram ao longo do 1º semestre de 2003, tais como: elevação do desemprego, juros altos, aumento das tarifas públicas e queda da renda real e que contribuíram sensivelmente para o crescimento da inadimplência.

De acordo com o presidente da Serasa, uma queda mais consistente da inadimplência deverá ser notada a partir do 2º semestre por conta da menor atividade econômica, da reduzida demanda por crédito e pela retração do consumidor durante os primeiros seis meses do ano. Outras ocorrências que devem reduzir a inadimplência para o terceiro e quarto trimestres são: a liberação da 2ª parcela do acordo do FGTS para quem tinha saldo mais elevado e que contempla efetivamente a classe média, os acordos salariais de classes trabalhadoras importantes e a recuperação sazonal da economia brasileira nesse período.

Elcio Anibal de Lucca destaca também que o orçamento familiar tem sido muito pressionado pela inflação, pelos impostos, taxas e pela incorporação de novos hábitos de consumo, que acabam se tornando itens fixos de despesa (celulares, acesso à Internet etc).

Sobretudo nesse contexto, de renda em queda, desemprego e juros elevados, Elcio Anibal de Lucca diz que a concessão de crédito envolve riscos maiores, o que exige modelo de gestão apropriado e metodologia adequada, incluindo soluções avançadas tais como scoring de crédito, para a decisão de crédito e realização dos negócios.

Inadimplência de pessoa jurídica

O índice Serasa de Inadimplência de pessoa jurídica mostrou alta de 5,2% no primeiro semestre de 2003, comparado com 2002, que registrou um crescimento de 15,2% em igual período de 2002/2001.

De acordo com o índice da Serasa, a maior representatividade na inadimplência de PJ é de títulos protestados, 49% em junho de 2003. No mesmo mês de 2002, esse percentual era 48% e 49%, em 2001.

O segundo índice na representatividade é o de cheques sem fundos, que apresenta queda desde 2001. Em junho de 2003, os cheques devolvidos representaram 36% do total do indicador de PJ. No mesmo período de 2002, foi de 37%, e no de 2001, a participação de cheques devolvidos no Indicador Serasa de Inadimplência foi de 38%.

A participação dos registros das dívidas com o sistema financeiro (bancos), no indicador de inadimplência de PJ, é a terceira maior, com 15% em junho de 2003; o mesmo percentual em 2002 e 13% no mesmo mês de 2001.

Segundo o estudo, o valor médio das anotações negativas de cheques sem fundos (PJ) em junho 2003 foi de R$ 970; de títulos protestados foi de R$ 1.305; de registros no sistema financeiro foi de R$ 2.977.

No caso de pessoa jurídica, Elcio Anibal de Lucca diz que as empresas ajustaram suas estruturas de capital ao longo de 2001 e 2002, por conta das pressões de juros e câmbio, de forma a reduzir a dependência por capital de terceiros para o financiamento de sua atividade, que acompanhou o ritmo da economia.

No entanto, o presidente da Serasa afirma que as empresas mais vulneráveis ao cenário de juros elevados, queda da demanda, inadimplência do consumidor e menor espaço para repasse dos preços – as micro, pequenas e médias empresas – registraram, sobretudo no terceiro bimestre, um significativo crescimento na inadimplência de seus negócios.

Crédito

O Indicador Serasa de Inadimplência revela que o volume de crédito (PF+PJ) na economia teve um ritmo de crescimento maior do que o da inadimplência total. O índice mostra que as linhas de financiamento cresceram 74,4% de janeiro de 1999 até maio de 2003, último dado disponível pelo Banco Central, enquanto a inadimplência subiu 69,8% no período de janeiro de 1999, quando começou a ser apurado, a junho de 2003, isto sem considerar o crédito mercantil (entre empresas) e aquele concedido via cheques pré-datados que, de acordo com outro estudo inédito da Serasa, totalizam montante superior ao concedido por todo o sistema financeiro.

Isolando apenas os dados de pessoa física, a diferença é mais expressiva. O volume de dinheiro destinado aos empréstimos do sistema financeiro subiu 151,3%, enquanto a inadimplência 87,3%, nos períodos respectivamente assinalados.

Os dados de pessoa jurídica revelam que enquanto o crédito do sistema financeiro evoluiu 55,5, entre janeiro de 1999 a maio de 2003, a inadimplência subiu 34,9%, entre janeiro de 1999 e junho de 2003.

O Indicador Serasa de Inadimplência foi lançado pela Serasa em julho de 2002 e é divulgado bimestralmente. O seu ponto de partida e ferramental exclusivo é o banco de dados da Serasa, uma das maiores empresas do mundo em informações e análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios. A Serasa é a única organização que tem o registro de todos os segmentos econômicos do país e de todas as modalidades de crédito.

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