Estudo semestral da Serasa levantou a inadimplência total (pessoa física +
jurídica) de janeiro a junho deste ano em todo o país. Pesquisa também
aponta,separadamente, a inadimplência de consumidores e empresas.
O Indicador Serasa de Inadimplência - o mais completo índice do país baseado
em modelo estatístico de múltiplas variáveis, que contempla todas as
modalidades de inadimplência da economia brasileira (registros de cheques
devolvidos, títulos protestados, dívidas do sistema financeiro, cartões de
crédito e financeiras) - revela que a inadimplência total (pessoas física e
jurídica) apresentou crescimento no primeiro semestre de 2003, na comparação
com o mesmo período de 2002. De janeiro a junho houve aumento de 3,5% da
inadimplência, na comparação com o mesmo período de 2002, que registrou
elevação de 26,6% em relação ao 1º semestre de 2001.
De acordo com o índice da Serasa, os cheques sem fundos apresentaram queda
na representatividade, em junho de 2003, na inadimplência total (PF + PJ). Em
2003, os cheques devolvidos representaram 36% do total do indicador. No mesmo
período de 2002, foi de 38%, e no de 2001, a participação de cheques devolvidos
no Indicador Serasa de Inadimplência foi de 44%.
O segundo índice na representatividade é o registro de inadimplência de
cartões de crédito e financeiras, que apresentou em junho de 2003 participação
de 31%, a mesma participação registrada em igual período de 2002, e 25% em
2001.
A participação dos registros das dívidas com o sistema financeiro (bancos),
no indicador de inadimplência, é a terceira maior, com 27% em junho de 2003;
24% no mesmo mês de 2002 e 22% em 2001. Com a menor representatividade,
mantêm-se os títulos protestados, 7% em 2003, mesma variação apresentada em
2002, e 9% em 2001.
Segundo o estudo, o valor médio das anotações negativas de cheques sem
fundos (PF+PJ) em junho de 2003 foi de R$ 673; de títulos protestados foi de R$
930; de registros no sistema financeiro foi de R$ 1.934; e de registros outros
segmentos (cartões de crédito e financeiras) foi de R$ 323.
Inadimplência de pessoa física
O indicador também apontou queda do ritmo de crescimento da inadimplência de
pessoa física. De janeiro a junho de 2003, a inadimplência de pessoa física
cresceu 5,9% na comparação com o mesmo período de 2002, que evoluiu 35% ante
2001.
De acordo com o índice da Serasa, os cheques sem fundos também apresentaram
queda na representatividade, em junho de 2003, na inadimplência de pessoa
física. Em 2003, os cheques devolvidos representaram 36% do total do indicador
de PF. No mesmo período de 2002, foi de 37%, e no de 2001, a participação de
cheques devolvidos no Indicador Serasa de Inadimplência foi de 45%.
O segundo índice na representatividade é o registro de inadimplência de
cartões de crédito e financeiras, que apresentou em junho de 2003 participação
de 33%, uma participação menor do que a registrada em igual período de 2002,
35%. Em 2001, esse percentual foi 29%.
A participação dos registros das dívidas com o sistema financeiro (bancos),
no indicador de inadimplência de PF, é a terceira maior, com 29% em junho de
2003; 26% no mesmo mês de 2002 e 24% em 2001. Com a menor representatividade,
mantêm-se os títulos protestados, 2% em 2003, mesma variação apresentada em
2002, e 3% em 2001.
Segundo o estudo, o valor médio das anotações negativas de cheques sem
fundos (PF) em junho 2003 foi de R$ 376; de títulos protestados foi de R$ 555;
de registros no sistema financeiro foi de R$ 951; e de registros outros
segmentos (cartões de crédito e financeiras) foi de R$ 230.
Segundo o presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca, no caso de pessoa
física, apesar da inadimplência ainda apresentar crescimento no 1º semestre,
deve-se destacar a queda no ritmo de evolução deste indicador. A inadimplência
decorrente das compras de final de ano, que utilizaram prazos mais longos de
financiamento, já foram quitadas e/ou renegociadas, fato confirmado pelo
Serviço Gratuito de Orientação ao Cidadão da Serasa. Os fatores conjunturais de
maior pressão sobre o poder aquisitivo dos consumidores, que estavam presentes
no final de 2002, se acentuaram ao longo do 1º semestre de 2003, tais como:
elevação do desemprego, juros altos, aumento das tarifas públicas e queda da
renda real e que contribuíram sensivelmente para o crescimento da
inadimplência.
De acordo com o presidente da Serasa, uma queda mais consistente da
inadimplência deverá ser notada a partir do 2º semestre por conta da menor
atividade econômica, da reduzida demanda por crédito e pela retração do
consumidor durante os primeiros seis meses do ano. Outras ocorrências que devem
reduzir a inadimplência para o terceiro e quarto trimestres são: a liberação da
2ª parcela do acordo do FGTS para quem tinha saldo mais elevado e que contempla
efetivamente a classe média, os acordos salariais de classes trabalhadoras
importantes e a recuperação sazonal da economia brasileira nesse período.
Elcio Anibal de Lucca destaca também que o orçamento familiar tem sido muito
pressionado pela inflação, pelos impostos, taxas e pela incorporação de novos
hábitos de consumo, que acabam se tornando itens fixos de despesa (celulares,
acesso à Internet etc).
Sobretudo nesse contexto, de renda em queda, desemprego e juros elevados,
Elcio Anibal de Lucca diz que a concessão de crédito envolve riscos maiores, o
que exige modelo de gestão apropriado e metodologia adequada, incluindo
soluções avançadas tais como scoring de crédito, para a decisão de crédito e
realização dos negócios.
Inadimplência de pessoa jurídica
O índice Serasa de Inadimplência de pessoa jurídica mostrou alta de 5,2% no
primeiro semestre de 2003, comparado com 2002, que registrou um crescimento de
15,2% em igual período de 2002/2001.
De acordo com o índice da Serasa, a maior representatividade na
inadimplência de PJ é de títulos protestados, 49% em junho de 2003. No mesmo
mês de 2002, esse percentual era 48% e 49%, em 2001.
O segundo índice na representatividade é o de cheques sem fundos, que
apresenta queda desde 2001. Em junho de 2003, os cheques devolvidos
representaram 36% do total do indicador de PJ. No mesmo período de 2002, foi de
37%, e no de 2001, a participação de cheques devolvidos no Indicador Serasa de
Inadimplência foi de 38%.
A participação dos registros das dívidas com o sistema financeiro (bancos),
no indicador de inadimplência de PJ, é a terceira maior, com 15% em junho de
2003; o mesmo percentual em 2002 e 13% no mesmo mês de 2001.
Segundo o estudo, o valor médio das anotações negativas de cheques sem
fundos (PJ) em junho 2003 foi de R$ 970; de títulos protestados foi de R$
1.305; de registros no sistema financeiro foi de R$ 2.977.
No caso de pessoa jurídica, Elcio Anibal de Lucca diz que as empresas
ajustaram suas estruturas de capital ao longo de 2001 e 2002, por conta das
pressões de juros e câmbio, de forma a reduzir a dependência por capital de
terceiros para o financiamento de sua atividade, que acompanhou o ritmo da
economia.
No entanto, o presidente da Serasa afirma que as empresas mais vulneráveis
ao cenário de juros elevados, queda da demanda, inadimplência do consumidor e
menor espaço para repasse dos preços – as micro, pequenas e médias empresas –
registraram, sobretudo no terceiro bimestre, um significativo crescimento na
inadimplência de seus negócios.
Crédito
O Indicador Serasa de Inadimplência revela que o volume de crédito (PF+PJ)
na economia teve um ritmo de crescimento maior do que o da inadimplência total.
O índice mostra que as linhas de financiamento cresceram 74,4% de janeiro de
1999 até maio de 2003, último dado disponível pelo Banco Central, enquanto a
inadimplência subiu 69,8% no período de janeiro de 1999, quando começou a ser
apurado, a junho de 2003, isto sem considerar o crédito mercantil (entre
empresas) e aquele concedido via cheques pré-datados que, de acordo com outro
estudo inédito da Serasa, totalizam montante superior ao concedido por todo o
sistema financeiro.
Isolando apenas os dados de pessoa física, a diferença é mais expressiva. O
volume de dinheiro destinado aos empréstimos do sistema financeiro subiu
151,3%, enquanto a inadimplência 87,3%, nos períodos respectivamente
assinalados.
Os dados de pessoa jurídica revelam que enquanto o crédito do sistema
financeiro evoluiu 55,5, entre janeiro de 1999 a maio de 2003, a inadimplência
subiu 34,9%, entre janeiro de 1999 e junho de 2003.
O Indicador Serasa de Inadimplência foi lançado pela Serasa em julho de 2002
e é divulgado bimestralmente. O seu ponto de partida e ferramental exclusivo é
o banco de dados da Serasa, uma das maiores empresas do mundo em informações e
análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios. A
Serasa é a única organização que tem o registro de todos os segmentos
econômicos do país e de todas as modalidades de crédito.