Levantamento da Serasa, maior empresa do Brasil em informações e análises
econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios e referência
mundial no segmento, revela que foi recorde o número de cheques devolvidos por
falta de fundos (17,6 a cada mil compensados), em maio de 2003. A alta foi de
18,1%, em relação ao mesmo mês do ano passado. No quinto mês de 2002, foram
registrados 14,9 cheques devolvidos a cada mil compensados. O total de cheques
sem fundos também bateu recorde, 3,27 milhões.
Na comparação mensal (maio - abril/2003), o volume de cheques devolvidos
registrou alta de 8,6%, de acordo com a pesquisa da Serasa. Foram devolvidos
16,2 cheques sem fundos a cada mil compensados em abril de 2003.
O estudo da Serasa aponta aumento de 7,5% no volume de cheques sem fundos
também na comparação dos cinco primeiros meses de 2003 com o mesmo período do
ano passado. Nos primeiros cinco meses de 2003 foram devolvidos 15,8 cheques a
cada mil compensados contra 14,7 no mesmo período do ano passado. Os números de
maio, nas comparações anual e acumulado, são os maiores já registrados desde
1991, ano em que foi criado o índice.
O recorde de maio nos cheques sem fundos superou até mesmo o registro de
março, mês em que ocorre, de forma sazonal, o pico de inadimplência do início
do ano. Em março/2003, o volume de cheques devolvidos atingiu a marca de 16,7 a
cada mil compensados.
Confirmando as expectativas da Serasa, os números de maio mostram que a
prática de alongamento nos prazos de aceitação dos cheques pré-datados,
utilizada no final de 2002, contribuiu para a inadimplência maior. A falta de
metodologia adequada para esta concessão de crédito juntamente com o
agravamento da conjuntura para o consumidor – juros elevados, acentuação da
queda da renda e aumento do desemprego - foram determinantes para a
inadimplência com cheques.
Por essas razões, a elevação sazonal da inadimplência que normalmente se
limitava ao 1º trimestre, em 2003 deve se estender ao longo do 1º semestre,
mesmo com fraca demanda por crédito, com o consumidor retraído e com baixa
atividade econômica. A melhoria neste quadro deve ocorrer somente no 2º
semestre, com as novas contratações de crédito.
A Serasa entende que a utilização intensiva de ferramentas avançadas para a
decisão de crédito, a exemplo dos Scorings, teriam reduzido a sazonalidade e
ampliado os graus de segurança dos negócios.