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(0xx11) 33 Serasa

Estudos Econômicos
Inadimplência cresce 3,2% em 2003, mas mantém ritmo de queda
20/05/2003

O Indicador Serasa de Inadimplência - o mais completo índice do país baseado em modelo estatístico de múltiplas variáveis, que contempla todas as modalidades de inadimplência da economia brasileira (registros de cheques devolvidos, títulos protestados, sistema financeiro, cartões de crédito e financeiras) - revela que a inadimplência total (pessoa física e jurídica) apresentou crescimento no primeiro quadrimestre de 2003, na comparação com o mesmo período de 2002. De janeiro a abril houve aumento de 3,2% da inadimplência, na comparação com o mesmo período de 2002, que registrou elevação de 30% em relação aos mesmos dias de 2001.

O indicador também apontou queda do ritmo de crescimento de pessoa física. De janeiro a abril de 2003, a inadimplência de pessoa física cresceu 7% na comparação com o mesmo período de 2002, que evoluiu 38,1% ante 2001. O índice Serasa de Inadimplência de pessoa jurídica mostrou ligeira queda de 0,4% no primeiro quadrimestre de 2003, comparado com 2002, que registrou um crescimento de 21,9% em igual período de 2002/2001.

Segundo o presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca, no caso de pessoa física, a queda no ritmo do aumento da inadimplência verificada ao longo de 2002 foi provocada pela menor atividade econômica e, portanto, pela menor demanda por crédito. Ademais, os recursos liberados pelo acordo sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), promoveram a regularização de pendências, se estendendo em janeiro de 2003 com a liberação de novo lote. O presidente destacou que no primeiro quadrimestre de 2003 a menor evolução da inadimplência está ligada ao comportamento do consumidor, que está voltado para a regularização de suas pendências e evitando acumular compromissos frente a uma conjuntura de juros elevados, desemprego em alta e renda real em queda.

Elcio Anibal de Lucca destaca que o orçamento familiar tem sido muito pressionado pela inflação, pelos impostos e pela incorporação de novos hábitos de consumo, que acabam se tornando itens fixos de despesa (celulares, acesso à Internet etc).

Nesse contexto, de renda em queda, desemprego e juros elevados, Elcio Anibal de Lucca diz que a concessão de crédito envolve riscos maiores, o que exige modelo de gestão apropriado e metodologia adequada, incluindo soluções avançadas tais como scoring de crédito, para a decisão de crédito e realização dos negócios.

Esse conjunto de fatos, aliado à prática não criteriosa de prazos de financiamento alongados no final de 2002, determinou que a sazonalidade da inadimplência, antes restrita ao 1º trimestre adentrasse no 1º quadrimestre, segundo Elcio Anibal de Lucca.

No caso de pessoa jurídica, Elcio Anibal de Lucca diz que as empresas promoveram ajustes em suas estruturas de capital ao longo de 2001 e 2002, por conta da elevada taxa de juros e do câmbio, de forma a reduzir a dependência por capital de terceiros para o financiamento de sua atividade, que acompanhou o ritmo da economia. Com isso, a concessão de crédito para o segmento foi mais criteriosa.

De acordo com o índice da Serasa, os cheques sem fundos apresentaram queda na representatividade, de janeiro a abril de 2003, na inadimplência total (PF+ PJ). Em 2003, os cheques devolvidos representaram 36% do total do indicador. No mesmo período de 2002, foi de 38%, e no de 2001, a participação de cheques devolvidos no Indicador Serasa de Inadimplência foi de 44%.

O segundo índice na representatividade é o registro de inadimplência de cartões de crédito e financeiras, que apresentou no primeiro quadrimestre de 2003 participação de 31%, a mesma participação registrada em igual período de 2002, e 25% em 2001.

O índice registros no sistema financeiro (bancos) mantém a terceira maior participação no indicador, com 27% nos primeiros quatro meses de 2003; 24% no mesmo período de 2002 e 22% no de 2001. Com a menor representatividade, mantêm-se os títulos protestados, 7% em 2003, mesma variação apresentada em 2002, e 9% em 2001.

Segundo o estudo, o valor médio das anotações negativas de cheques sem fundos (PF+PJ) de janeiro a abril 2003 foi de R$ 672,26; de títulos protestados foi de R$ 920,47; de registros no sistema financeiro foi de R$ 1.916,44; e de registros outros segmentos (cartões de crédito e financeiras) foi de R$ 325.

O Indicador Serasa de Inadimplência revela que o volume de crédito (PF+PJ) na economia teve um ritmo de crescimento maior do que o da inadimplência total. O índice mostra que as linhas de financiamento cresceram 75% de janeiro de 1999 até março de 2003, último dado disponível pelo Banco Central, enquanto a inadimplência subiu 63% no período de janeiro de 1999 a abril de 2003, isto sem considerar o crédito mercantil (entre empresas) e aquele concedido via cheques pré-datados que, de acordo com outro estudo inédito da Serasa, totalizam montante superior ao concedido por todo o sistema financeiro.

Isolando apenas os dados de pessoa física, a diferença é mais expressiva. O volume de dinheiro destinado aos empréstimos do sistema financeiro subiu 142%, enquanto a inadimplência 81%, nos períodos respectivamente assinalados.

Os dados de pessoa jurídica revelam que enquanto o crédito do sistema financeiro evoluiu 59%, entre janeiro de 1999 a março de 2003, a inadimplência subiu 27%, entre os períodos em análise.

O Indicador Serasa de Inadimplência foi lançado pela Serasa em julho de 2002 e é divulgado bimestralmente. O seu ponto de partida e ferramental exclusivo é o banco de dados da Serasa, uma das maiores empresas do mundo em informações e análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios. A Serasa é a única organização que tem o registro de todos os segmentos econômicos do país e de todas as modalidades de crédito.

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