A Serasa lançou a publicação “Dinheiro não é brincadeira”, histórias em
quadrinhos para educação financeira, dirigida a crianças na faixa etária de 7 a
11 anos, a ser oferecida gratuitamente às escolas. Elaborada pela educadora
financeira Cássia D´Aquino para ser um material didático-pedagógico, a revista
em quadrinhos é acompanhada de um manual de orientação ao professor e é mais um
título da série Serasa Cidadania.
A revista apresenta histórias em quadrinhos que abordam aspectos éticos e
comportamentais envolvidos no ganho e uso do dinheiro. A publicação tem como
objetivo colaborar para o aprimoramento da discussão em torno de trabalho e
consumo, a qual vem tomando corpo nas escolas. “A crescente preocupação com
esse tema determinou, aliás, sua inclusão como parte dos Parâmetros
Curriculares Nacionais para o Ensino Fundamental (PCNs)”, esclarece Cássia
D´Aquino.
Os reflexos do descontrole orçamentário na vida de uma família, avalia o
presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca, cada vez mais estudados pelos
especialistas, são profundos e muitas vezes causa de traumas e desagregação
familiar e no ambiente de trabalho, por isso é essencial investir em educação,
sobretudo no ensino fundamental. “Dinheiro não é Brincadeira” é uma
contribuição do processo de Responsabilidade Social da Serasa, para que essa
geração que está ingressando na escola cresça com maior preparo para lidar com
as questões de consumo e éticas acerca do dinheiro, e tenha uma relação mais
saudável com suas finanças quando adulta”, declara Elcio Anibal de Lucca.
Através da Educação Financeira a criança tem chance de aprender a planejar
gastos e a consumir de um modo responsável, livre da alienação consumista,
defende Cássia D´Aquino. “O ensino de Educação Financeira, como tudo que diz
respeito a educação, exige consistência e repetição. Por isso, quanto mais cedo
se começa, maiores as chances de sucesso na construção de uma mentalidade
responsável em relação ao dinheiro”, argumenta.
A educadora financeira afirma também que a faixa etária à qual o gibi se
dirige tomou como referência as etapas do desenvolvimento infantil, tal como
proposto por Piaget no clássico "Psicologia da Inteligência". De acordo
com Cássia D´Aquino, “nesta etapa da vida, conhecida como ‘fase de organização
das operações concretas’, a criança se torna mais apta para a cooperação,
colaboração no trabalho e troca de idéias”. Os quadrinhos foram desenhados por
Cláudio de Oliveira, chargista do Jornal Agora São Paulo.
A Série Serasa Cidadania tem o objetivo de investir em publicações que
contribuam para melhorar a vida dos brasileiros, alavancar o espírito de
cidadania e construir um país melhor. Os títulos Guia Serasa de Orientação ao
Cidadão - Saiba como evitar a inadimplência e garantir o seu futuro; Guia
Serasa de Orientação ao Cidadão - Saiba como Reduzir o Risco de se tornar
Vítima da Violência; Vencedor não usa Drogas, do psicólogo Edson Ferrarini, e
Direitos do Portador de Necessidades Especiais, de Antonio Rulli Neto, foram
publicados pela série Serasa Cidadania.
Autores do Gibi
A educadora financeira Cássia D'Aquino é criadora e coordenadora do Programa
de Educação Financeira em inúmeras escolas do País e único membro sul-americano
da Internacional Association for Citizenship, Social and Economics Education
(IACSEE), organização com sede na Inglaterra. Bacharela em História, com
pós-graduação em Ciência Política pela UFMG, é também especialista em educação
infantil.
O artista gráfico Cláudio de Oliveira é autor de vários livros de charges e
foi premiado com o troféu HQ Mix como o melhor livro de charges de 1998. Foi
ganhador do Prêmio Vladimir Herzog de 1996, na categoria Artes. É chargista do
jornal Agora S.Paulo. Jornalista pela UFRN, é pós-graduado em Artes Gráficas
pela Escola Superior de Artes Industriais de Praga, República Tcheca.
Educação Financeira, por Cássia D´Aquino
Para Cássia D´Aquino, do ponto de vista da macroeconomia, a dificuldade da
população em estabelecer um comportamento maduro em relação às finanças
acarreta conseqüências econômicas, sociais e políticas. “É o caso, por exemplo,
da nossa baixa taxa de poupança interna, que tem forçado o país aos caprichos
do capital externo, com desdobramentos que atingem os três planos. Do ponto de
vista do comportamento individual, as conseqüências são múltiplas e penosas
para adultos e crianças. A alienação do consumo – consumir pelo constrangimento
da idéia de que " a gente vale pelo o que a gente consome",
independentemente de necessidades, prioridades ou possibilidades financeiras -
tem se infiltrado cada vez mais cedo nas expectativas infantis, gerando
sofrimentos e descompensações sócio-emocionais de gravíssimas conseqüências”,
afirma.
Sobre seu Programa de Educação Financeira, Cássia D´Aquino conta que ele
funciona há oito anos e tem sido adotado por escolas públicas e privadas, de
todo o país, sempre com muito sucesso. Segundo ela, é grande a preocupação de
pais e educadores em transmitir às crianças a maneira mais adequada de lidar
com dinheiro, e essa preocupação tem assegurado ao Programa um grau elevado de
interesse, participação e apoio. “Desde que o Programa começou a ser divulgado
em congressos e veiculado pela mídia, o número de escolas que adotaram a idéia
cresceu a ponto de ser difícil precisar o número de instituições que aderiram a
ele”, declara a educadora.
“O resultado é muito animador, e os relatos de pais e professores envolvidos
nesse processo são a prova clara disso. O Programa não é baseado em regrinhas
moralistas fáceis, de como " bem usar" as finanças. Muito ao contrário,
a intenção é dar às crianças e jovens oportunidade de conhecer e criar
ferramentas que lhes permitam lidar com dinheiro de modo responsável, ético e
maduro”, esclarece Cássia D´Aquino.
A respeito da educação financeira no Brasil, Cássia D´Aquino afima que, ao
contrário da Europa, Estados Unidos, e boa parte da Ásia, a Educação financeira
nos países da América Latina foi postergada por décadas de pesadelo
inflacionário. “Onde há inflação, não convive planejamento e, portanto, não
faria sentido ou seria possível pretender uma educação nesses moldes. Nos
últimos anos, graças à menor evolução dos preços, foram criadas condições
propícias ao desenvolvimento da educação financeira no Brasil. A ser mantida a
estabilidade da economia, condição sine qua non, as perspectivas são
excelentes”, finaliza.