Levantamento da Serasa, maior empresa do Brasil em informações e análises
econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios e referência
mundial no segmento, revela que a inadimplência total indicada pelo volume de
protestos de pessoas física e jurídica teve queda de 7,5%, totalizando 678 mil
títulos protestados, na comparação dezembro 2002/2001, considerando os dias
úteis, em todo o país.
No entanto, nos 12 meses de 2002, o volume total de títulos protestados, sem
computar o Estado de São Paulo, apresentou alta de 4,1%, em comparação com o
mesmo período do ano passado. Foram registrados 4,5 milhões de protestos no
acumulado do ano.
O volume de títulos protestados de pessoa jurídica teve queda de 8,9%, na
comparação dezembro de 2002/2001, em todo o país, segundo estudo da Serasa
realizado por dias úteis. Foram registrados 352,5 mil títulos em dezembro de
2002, o que representa uma média diária de 18,5 mil protestos de empresas.
De janeiro a dezembro de 2002 foram protestados 3,2 milhões de títulos de
empresas (sem computar o Estado de São Paulo) com evolução de 1,6% sobre o
mesmo período de 2001.
De acordo com o assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique de Almeida, as
empresas estão evitando aumentar a participação de recursos de terceiros em sua
estrutura de capital devido a pressões do câmbio, dos juros e ao pouco espaço
para repasse de preços. A renegociação foi a palavra de ordem para as
empresas.
A Serasa destaca ainda que as variações dos protestos em dezembro de 2002,
em relação ao mesmo mês de 2001, incluem o Estado de São Paulo no levantamento
nacional pois os meses subseqüentes a maio do ano passado já se encontravam
sobre a vigência e efeitos da legislação que diferencia a cobrança de custas
cartorárias neste Estado do restante do País e que, portanto, permitem a
comparação direta entre iguais meses. A legislação vigente no Estado de São
Paulo, com efeitos a partir de maio de 2001, distorceu a base de comparação, já
que promoveu uma sobrecarga de títulos de créditos acumulados, há muito
vencidos e não pagos, principalmente cheques sem fundos, de qualquer valor, que
foram levados pelos credores de uma vez aos Cartórios.
Entretanto, na comparação entre o volume de títulos protestados acumulado de
2002/2001 a distorção ainda persiste, pois o ano passado carrega diferentes
metodologias para o Estado de São Paulo: em seus quatro primeiros meses vigorou
o antigo método sobre as custas cartorárias, coerente com a dos demais Estados,
e nos outros oito meses de 2001 a nova regulamentação, que passa estes encargos
para o devedor.
Assim, para comparação e análise dos números de protestos no período de janeiro
a dezembro de 2002/2001, a Serasa continua a excluir o Estado de São Paulo, de
forma a obter a inadimplência pontual que ocorre no País
Pessoa Física
Segundo o estudo, realizado por dias úteis, o volume de títulos protestados
de pessoa física diminuiu 5,9% em dezembro de 2002, em relação ao mesmo mês de
2001, em todo o território nacional. No décimo-segundo mês de 2002, foram
registrados 325,5 mil títulos de pessoa física, representando uma média diária
de 17 mil protestos.
De acordo com o assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique de Almeida, a
menor inadimplência de pessoa física é atribuída aos recursos do acordo do FGTS
na regularização de pendências e ao consumidor mais cauteloso na hora de
assumir novos compromissos, aguardando as definições na economia para voltar às
compras o que só ocorreu em dezembro.
Segundo Almeida, a menor atividade econômica em 2002 e a demanda por crédito
crescendo em razão inferior a 2001 também foram fatores de contração da
inadimplência. De forma oposta, pressionaram o não cumprimento dos pagamentos:
a elevação do desemprego, a queda da renda real do trabalhador e os altos
juros.
No acumulado do ano, o volume de protestos de pessoa física (sem computar o
Estado de São Paulo) teve aumento de 10,6%, na comparação com o mesmo período
do ano passado. Foram registrados 1,3 milhão de títulos protestados de pessoa
física nos 12 meses de 2002.