Estudo da Serasa, maior empresa do Brasil em informações e análises
econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios e referência
mundial no segmento, revela que a inadimplência total indicada pelo volume de
títulos protestados de pessoas física e jurídica, teve queda de 2,7%,
totalizando 745 mil protestos, na comparação agosto 2002/2001, considerados os
dias úteis, em todo território nacional.
O volume de protestos nos oito primeiros meses de 2002, sem computar o
Estado de São Paulo, apresentou alta de 8,9%, em comparação com o mesmo período
do ano passado. Foram registrados 3,1 milhões de títulos protestados no
acumulado do ano.
A queda no volume total de títulos protestados foi decorrente do recuo de
7,2% no volume de protestos de pessoa física em agosto de 2002 ante o mesmo mês
de 2001. No oitavo mês de 2002 foram registrados 355 mil protestos de pessoa
física em todo o território nacional, representando média diária de 16 mil
títulos.
A menor inadimplência de pessoa física é atribuída aos recursos do acordo do
FGTS usados na regularização de pendências. O consumidor está mais cauteloso na
hora de assumir novos compromissos, pois aguarda as definições na economia para
voltar às compras, o que deve acontecer de forma mais acentuada no último
trimestre.
No acumulado de janeiro a agosto de 2002, o volume de títulos protestados de
pessoa física (sem o Estado de São Paulo) sofreu um acréscimo de 13,3% em
comparação com o mesmo período de 2001. Foram registradas 878 mil ocorrências
de protestos de pessoa física no período.
A Serasa destaca que as variações dos protestos em agosto de 2002, em
relação ao mesmo mês de 2001, incluem o Estado de São Paulo no levantamento
nacional pois os meses subseqüentes a maio do ano passado já se encontravam
sobre a vigência e efeitos da legislação que diferencia a cobrança de custas
cartorárias neste Estado do restante do País e que, portanto, permitem a
comparação direta entre iguais meses. A legislação vigente no Estado de São
Paulo, com efeitos a partir de maio de 2001, distorceu a base de comparação, já
que promoveu uma sobrecarga de títulos de créditos acumulados, há muito
vencidos e não pagos, principalmente cheques sem fundos, de qualquer valor, que
foram levados pelos credores de uma vez aos Cartórios.
Entretanto, na comparação entre o volume de títulos protestados acumulado de
2002/2001 a distorção ainda persiste, pois o ano passado carrega diferentes
metodologias para o Estado de São Paulo: em seus quatro primeiros meses vigorou
o antigo método sobre as custas cartorárias, coerente com a dos demais Estados,
e nos outros oito meses de 2001 a nova regulamentação, que passa estes encargos
para o devedor.
Assim, para comparação e análise dos números de protestos no período de janeiro
a agosto 2002/2001, a Serasa continua a excluir o Estado de São Paulo, de forma
a obter a inadimplência pontual que ocorre no País
Pessoa Jurídica
Nos primeiros oito meses de 2002, foram protestados 2,2 milhões de títulos
de pessoa jurídica (sem o Estado de São Paulo), com evolução de 7,3% sobre o
mesmo período de 2001. Na comparação agosto 2002/2001, os protestos de pessoa
jurídica em todo território nacional tiveram uma alta de 1,8%, totalizando 390
mil títulos, com média diária de 18 mil protestos.
As empresas estão evitando aumentar a participação de recursos de terceiros
em sua estrutura de capital e aquelas que tiveram maior impacto por conta da
elevação do dólar estão buscando renegociar seus débitos.
Segundo a Serasa, o quadro atual da inadimplência aponta uma redução em seus
patamares por conta do menor nível de atividade econômica e da maior utilização
de informações na concessão e gerenciamento do risco de crédito.