Estudo da Serasa, maior empresa do Brasil em informações e análises
econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios e referência
mundial no segmento, apurou que a inadimplência, indicada por protestos
(pessoas físicas e jurídicas), teve ligeira alta, de 3%, na comparação
junho2002/2001, em todo o território nacional.
No primeiro semestre de 2002, ante o mesmo período do ano passado, o volume
de títulos protestados, sem computar o Estado de São Paulo, apresentou
crescimento de 5,2%. Foram registrados 2,2 milhões de protestos no acumulado do
ano.
O total de protestos de pessoa jurídica registrou queda de 0,6% em junho de
2002 comparado com o mesmo mês de 2001. A Serasa aponta que a menor dependência
de recursos de terceiros na estrutura de capital das empresas e a concessão de
crédito mais criteriosa, por parte daquelas mais organizadas, ou seja, as que
utilizam metodologia adequada de crédito, foram fatores que contribuíram para o
recuo registrado.
Junho de 2002 e 2001 tiveram o mesmo número de dias úteis, o que evitou o
efeito-calendário. No sexto mês de 2002 foram registrados 340 mil protestos de
pessoas jurídicas em todo o território nacional.
No primeiro semestre de 2002, os protestos de pessoas jurídicas cresceram
4,2%, totalizando 1,6 milhão de ocorrências.
A Serasa destaca que as variações dos protestos em junho 2002, em relação ao
mesmo mês de 2001, incluem o Estado de São Paulo no levantamento nacional pois
os meses subseqüentes a maio do ano passado já se encontravam sobre a vigência
e efeitos da legislação que diferencia a cobrança de custas cartorárias neste
Estado do restante do País e que, portanto, permitem a comparação direta entre
iguais meses. A legislação vigente no Estado de São Paulo, com efeitos a partir
de maio de 2001, distorceu a base de comparação, já que promoveu uma sobrecarga
de títulos de créditos acumulados, há muito vencidos e não pagos,
principalmente cheques sem fundos, de qualquer valor, que foram levados pelos
credores de uma vez aos Cartórios.
Entretanto, na comparação entre o volume de títulos protestados acumulado de
2002/2001 a distorção ainda persiste, pois o ano passado carrega diferentes
metodologias para o Estado de São Paulo: em seus quatro primeiros meses vigorou
o antigo método sobre as custas cartorárias, coerente com a dos demais Estados,
e nos outros oito meses de 2001 a nova regulamentação, que passa estes encargos
para o devedor.
Assim, para comparação e análise dos números de protestos no período de janeiro
a junho 2002/2001, a Serasa continua a excluir o Estado de São Paulo, de forma
a obter a inadimplência pontual que ocorre no País.
Pessoa Física
No primeiro semestre de 2002 foram protestados 606 mil títulos de pessoas
físicas, com evolução de 7,8% sobre o mesmo período de 2001.
Na comparação junho2002/2001, os protestos de pessoas físicas tiveram um
acréscimo de 7%, totalizando 336 mil títulos.
Segundo a Serasa, o quadro atual da inadimplência, ainda distante do recorde
histórico de 1995/1996, sugere um monitoramento constante frente às variáveis
conjunturais de maior impacto e reafirma a necessidade da utilização de
instrumentos adequados e informações abrangentes na concessão e gerenciamento
do risco de crédito.