O volume de cheques devolvidos por falta de fundos (em relação ao total de
compensados) em fevereiro de 2002 teve um aumento de 17,2% em relação ao mesmo
mês do ano passado, segundo estudo nacional da Serasa, uma das maiores empresas
do mundo em informações e análises econômico-financeiras para apoiar decisões
de crédito e negócios.
De acordo com o levantamento da Serasa, em fevereiro de 2002, foram 13,6
cheques devolvidos em cada mil compensados. O estudo destaca também que o
volume de cheques sem fundos caiu em relação a janeiro, que registrou 14,5
cheques devolvidos em cada mil compensados, a maior marca mensal já registrada
desde 1991, ano em que foi criado o índice.
Nos dois primeiros meses de 2002, foram devolvidos, em média, 14,1 cheques em
cada mil compensados. No mesmo período do ano passado, a média foi de 11,1
devoluções a cada mil cheques compensados.
De acordo com a Serasa, o alongamento nos prazos de recebimento de cheques
pré-datados e a aceitação não tão criteriosa por parte das empresas menos
organizadas, ou seja, aquelas sem metodologia adequada de crédito para a gestão
deste meio de pagamento, são as principais razões para o aumento da
inadimplência em 2001 e início de 2002.
Para a Serasa, os novos patamares da inadimplência com cheques merecem atenção,
sobretudo porque ainda registram a devolução de cheques relativos a compras
anteriores ao Natal. A prática indiscriminada do alongamento de prazo na
aceitação de cheques pré-datados, como apelo mercadológico e sem decisão
técnica de crédito, está facilitando o acumulo de dívidas pelo consumidor.