
| Estudos Econômicos Indústria tem lucro recorde em 2001, aponta estudo da Serasa 10/12/2001
Um estudo da Serasa, uma das maiores empresas do mundo em informações e
análises econômico-financeiras para apoiar decisões de crédito e negócios,
revela que a rentabilidade da indústria em 2001 manteve-se elevada pelo segundo
ano consecutivo e registrou o maior nível dos últimos dez anos.
De acordo com o estudo da Serasa, com base nos balancetes de empresas de vários
segmentos da Indústria, base Setembro/2001, apesar das adversidades ocorridas
em 2001, o faturamento do setor apresentou crescimento de 3,6%, quando
comparado a 2000, que havia crescido 11,5%.
O aumento das exportações é identificada como uma das razões para o bom
resultado do ano, mas não o principal. Segundo os economistas da Serasa, a alta
rentabilidade está relacionada com a mudança do regime cambial em 1999, que
trouxe mais competitividade para os produtos brasileiros no mercado externo.
Além disso, a desvalorização cambial limitou a concorrência dos produtos
importados, que passaram a ser fabricados no país, possibilitando às empresas
conseguirem melhor rentabilidade.
O presidente da Serasa, Elcio Anibal de Lucca observa que esta é a primeira vez
desde 1994 que o país tem três períodos de crescimento seguido. "A
indústria está claramente puxando o PIB", diz.
Segundo o levantamento da Serasa, os segmentos com maior acréscimo de vendas
foram Alimentos e Autopeças, com 11,8% e 7,0%, respectivamente, sobre as vendas
de 2000. Nos Alimentos, a produção física cresceu 2,9% até agosto e houve
aumento das exportações de frangos e suínos, alavancadas pela elevação da taxa
de câmbio e pela crise externa da carne bovina. A indústria de Autopeças contou
com o bom desempenho das exportações, do crescimento do setor automobilístico e
da melhora do segmento de reposição.
A pesquisa da Serasa aponta que os segmentos que tiveram decréscimo no
faturamento foram Papel e Celulose e Petroquímica. O primeiro, mesmo com
expansão de vendas, de 3,9% no mercado interno e 4,9% nas exportações até
setembro, não foram suficientes para contrabalançar a queda nos preços
internacionais, levando o segmento a registrar queda de 6,5% em 2001. O segundo
também apresentou queda física de vendas (-3,9%), causado pela desaceleração da
economia nacional, além da queda nos preços internacionais, pois houve geração
de excedentes de produção, pelo menor ritmo de atividades em âmbito
mundial.
A rentabilidade alcançou 9,4% das vendas de 2001, ultrapassando, portanto, os
8,4% obtidos no ano 2000, que havido sido o recorde da década. Apesar do
resultado alcançado, os vários segmentos analisados no estudo tiveram
comportamento díspares entre si.
De acordo com o estudo, os segmentos que tiveram bons resultados foram
Combustíveis, com 21% das vendas, e Papel e Celulose, com 13,1%. O primeiro
teve como fatores importantes o aumento da produção e reajuste de preços. No
segundo, mesmo com a queda de margem (era 19,5% em 2000), causada pela redução
dos preços internacionais e pelo aumento das despesas financeiras (efeito do
câmbio), sua rentabilidade foi assegurada pois seus custos mais importantes não
sofreram o efeito da moeda norte-americana.
Os segmentos que tiveram seus resultados comprometidos em 2001 foram Siderurgia
e Petroquímica, com –7,4% e –6,3% das vendas, respectivamente. Embora
independentes em suas atividades, sofreram por causas semelhantes: ambos
estavam em fase de investimento e, portanto, endividados, e as cotações de seus
produtos sofreram queda no mercado externo, motivada pela desaceleração da
economia mundial. Os fatores combinados causaram o prejuízo comentado.
Segundo o levantamento da Serasa, o endividamento bancário da indústria, que
havia crescido para 55,9% do patrimônio líquido, motivado pelo maior nível de
atividade em 2000, aumentou para 60,8% em 2001, influenciado pela elevação da
taxa de câmbio, bem superior a ocorrida em 1999.
Os segmentos com maior endividamento são Petroquímica, com 145,9% em 2001,
cujos investimentos realizados anteriormente foram impactados pelo câmbio
elevado, e Alimentos, com 123,2%, cujo maior nível de exportação gerou um
aumento natural no endividamento.
A pesquisa da Serasa aponta que os segmentos menos endividados são
Combustíveis, com 28,9%, que, por registrarem alta rentabilidade, reduziram seu
nível de endividamento, e Papel e Celulose, cuja necessidade de novos
investimentos em suas plantas e o impacto cambial, elevaram o patamar em 2001
para 56,9% do patrimônio líquido, ante os 38,9% alcançados em 2000.
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